Agora sem agradecimentos, vamos ao que posso doar de melhor pra vocês, minha reflexão e o que consigo transformar em palavras, vou escrever algo mais gostoso, afinal, o texto anterior foi pesado, mas necessário. Vou iniciar o texto como eu costumava começar uns três anos atrás, ou seja, com algumas perguntinhas, eu fui perdendo com o tempo essas perguntas e discorrendo de uma vez. Então vamos lá!
Hoje à tarde eu estava me perguntando: Se algumas pessoas vivem remoendo a vida e o que passaram, porque não procuram fazer um presente melhor para que no futuro surjam lembranças gostosas e prazerosas? Porque as pessoas teimam em viver dentro de um pesadelo mental? E aí soltei no meu facebook essa indagação. Pensei na infância, que geralmente tem várias coisas que nos lembramos de bom, tem até site pra recordar períodos, pelo menos da minha infância têm vários relembrando os anos 80. Então se a infância é tão boa, porque a partir da adolescência as coisas mudam? Poxa! É claro! Em uma infância consideravelmente saudável, temos cuidadores e não somos tão responsáveis por nossos atos, já que sempre tem um adulto que se responsabiliza e não estou negando os sofrimentos infantis, mas somos abençoados por ótimas recordações dessa fase, talvez por ser um período em que as cobranças sociais e morais não sejam tão pesadas, talvez por não necessitar tanto daquela máscara ética que permeia as relações humanas, talvez porque nossos mecanismos de repressão estejam em estado pré-maturos e ainda não se desenvolveram como nos adultos, só sei que, ser adulto não é fácil e nem deve ser. Penso também que seja uma fase em que temos contato à primeira vez com o mundo, testamos o mundo e as crianças não fazem as coisas na racionalidade, são espontâneas e se permitem ao movimento da esperança.
Quando chegamos à fase da adolescência somos basicamente forçados a manter um padrão social nas relações e aí as coisas complicam, porque esse padrão na verdade é ideológico e utópico, visto que cada ser aprende ética e moral de uma forma e não viemos todos da mesma família, os valores não são homogêneos, cada família tem uma crença, normas e valores que diferem umas das outras e aí a confusão é iniciada, somos obrigados a lidar com as diferenças sociais e às vezes o que é diferente fere e machuca quando não estamos seguros de nós mesmos, então tentamos à todo custo impor nossa forma de ver o mundo e com o amadurecimento mental dos anos, percebemos que não podemos mudar o mundo, que isso não é bacana e que devemos aprender a viver com as nossas representações de mundo, nossos anseios e nossas dificuldades e paramos de culpar o outro por nossos fracassos, nos responsabilizamos por nossas derrotas e vitórias, isso é bacana no desenvolvimento. Mas infelizmente a maioria dos seres humanos teima em culpar o outro, ou seja, o errado sempre é o outro, não nós mesmos e assim voltamos à infância, lá quando eram nossos cuidadores que se responsabilizavam por tudo que fazíamos, portanto, acredito que quando culpamos nosso próximo e vivemos uma vida de coitadinhos, de injustiçados, regredimos aos pontos mal elaborados de nossa vida mental.
Volto na minha indagação e reflito, será que viver uma vida de lamentações não tem algo em comum com certa melancolia e nostalgia ao tempo em que não éramos responsáveis por nós? Uma forma de querer um colinho de nossos cuidadores? Acredito muito que só se amadurece quando se aprende a reconhecer no cotidiano nossos pesos e pesares por nossos atos, então chego à seguinte conclusão sobre o tema: Só vamos conseguir de verdade construir um presente agradável quando finalmente evoluirmos o bastante para nos tornamos sujeitos e agentes dos nossos atos, enfim, ampliar nosso conceito de vida saudável, em que somos responsáveis por nosso prazer, por nosso desprazer e não deixar a vida levar, mas sim tomar as rédeas da situação e transformar o presente em um presente internamente satisfatório no cotidiano.
Acredito que uma coisa ruim não é só ruim, a ambiguidade está aí pra isso, duas das coisas que aprendi muito e que tenho levado pra minha vida a cada dia, são duas frases que carrego no coração: “Se a vida te deu um limão, então faça uma limonada” e “Se a vida te virou as costas, então, passa a mão na bunda dela” e isso me faz refletir que pra tudo existe várias resoluções. Se as coisas não estão da forma como gostaríamos é porque de alguma forma conduzimos para que isso estivesse acontecendo, seja consciente ou inconscientemente, temos nossa parcela de decisão em tudo, mesmo que não reconhecemos e jogamos isso só nos outros.
Deixo a dica de um filme maravilhoso chamado “Ensina-me a viver” que foi bem indicado por uma supervisora clínica e essa eu tenho que agradecer muito, foi quem me ensinou a clinicar, basicamente uma mãe acadêmica. Aproveito pra deixar o trailer do filme e indicar a trilha sonora também.



